Textos


Noite escura.
Festa confusa.
Bebida gelada.
Um cara de terno.
Jeito de mistério.
Na noite passada.
Estava só, mas parecia cheio.
Sem pressa ou necessidade de companhia.
Tinha um copo na mão e um olhar atencioso.
E por que não?
Esbarrar com ele no bar?
Por excesso de álcool ou destino.
Foi quando o conheci: óculos e gravata.
Um ar de quem estava na década errada.
Porém no lugar certo: bem perto.
No meu alcance, no meu desejo...
E por fim, no meu beijo.
					

E naquela noite ele veio, e como sempre, trazia um ar de encanto.
Seu abraço era mais forte e suas mãos eram macias e firmes.
Um suspiro e um beijo roubado, como se há algum tempo estivesse esperado
por esse tremor.
Balaçara de certa maneira suas vontades e suas verdades.
E mais um suspiro tomado por arrepios...
A noite fria já queimava a cada vez q ele se aproximava, com um olhar de quero mais…
O que faria naquela situação, se não…
Deixar que ele fosse embora, antes que a coisa piorasse
E um dia ele levasse, um pedaço de mim!
					
		  
E por vezes me encontrei pausada, cansada, jogada…
Sem fôlego, sem vontade…
Pensando que não existam pessoas que valham, pensando mesmice o tempo todo.
A falta de caráter e de sinceridade me assombrava.
Mas aí vem de novo, aquela brisa fria e me joga no palco!
Me joga… Me mostra, que existe gente como a gente, a salvação dos dias sonolentos…
Existe gente que te faz rir
que não usa as mesmas piadas
que tem criatividade de pensamentos, músicas, costumes, olhares.
Gente que não está ali por estar, ma que se faz presente…
E nossa, como isso é um presente, descobrir que as pessoas fúteis estão espalhadas
E as humildes tem que procurar um pouquinho mais. E que valem cada conversa.
					 
	
Como eu queria saber pra onde as pessoas vão depois…
Porque eu continuo me preocupando com elas como se ainda estivessem aqui…
Queria saber em que lugar, em que momento, elas são levadas e abraçadas, 
elas são acalentadas e ouvidas. Elas são acalmadas e amadas.
Queria que lhe beijassem as feridas, queria que lhe explicassem a mudança repentina.
Queria um afago daqueles bem gostoso pra que elas entendam,
que daqui pra lá é um passo…
Mas que enquanto eu não pise terei na lembrança e na alma o rosto de quem me cativa.
					 
					  
O corpo pede, a alma chama, e quem diria… essa gaúcha te ama.
Amor do olhar, do gesto acolhedor e companheiro.
Te encontrar foi decisivo e agora não sei andar solita…
O destino inquieto veio me contar, que o baile não termina agora e um chamamé contigo
me vou a dançar.
Como se outrora já tivesse te conhecido, e meus passos fluem leves a cada giro contigo.
Queria guardar esse encontro, esse encanto, esse peão…
Me faltando o fôlego, me tirando a razão.
Esse destino é traiçoeiro, às vezes me traz um amor, às vezes me traz um guerreiro…
Desses que tem que partir, porque sua vida não se faz aqui.
Ainda dá tempo?
Abrir o piquete, roubar o ginete e vir morar no meu galpão.